Rotékh

Manifesto da Vida

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Agradecimentos

Começo por meu eterno orientador, professor Rudolph Trouw. Ele me ensinou a contemplar a natureza e a cultivar outras paixões para além da geologia. Ensinou-me tudo o que sei sobre tectonoestratigrafia. Ensinou-me a mapear e a ver o que ninguém via. Nossa relação de mestre e aprendiz lembra aquelas desenvolvidas em tempos antigos, quando se aprendia acompanhando o ofício. Aprendi pelos pés, pelos olhos do microscópio e pelo mimetismo. Sou um típico caso de endogenia: fiz meu TCC, o mestrado e o doutorado na mesma instituição, a Universidade Federal do Rio de Janeiro, com o mesmo orientador. Mudei, porém, de áreas e paisagens. Começamos pelo sul de Minas, onde ele me mostrou pela primeira vez, de forma quase didática, a superposição de dois fenômenos tectônicos. Depois veio a Antártica. Levei-o sempre comigo, presencialmente ou de forma imaterial, na minha alma geológica. Com ele aprendi a aplicar a arte das relações de corte em diferentes ambientes, até chegar, no doutorado, a Carajás.

Agradeço ao Serviço Geológico do Brasil, a CPRM, que patrocinou todos os trabalhos de campo que realizei pelo país e as pesquisas que vieram depois. Agradeço também aos colegas e amigos que encontrei ali. Este livro é uma homenagem aos viajantes do tempo da CPRM, com quem tive a honra e o privilégio de trabalhar e conviver por quase vinte anos. Muito do que está nestas páginas nasceu do trabalho duro de muita gente. Em especial, de Ana Paula Justo, Junny Oliveira e Cintia Maria da Silva, com quem compartilhei anos perfeitos de trabalho de campo, análises, dúvidas, certezas e debates intermináveis, a matéria-prima de tudo.

Agradeço a Evandro Klein, Lúcia da Rosa Costa, Leda Fraga, Marcelo Almeida, meu grande herói e o maior defensor vivo do Serviço Geológico do Brasil, e Ana Maria Dreher. Sempre estiveram presentes, com contribuições de imensa envergadura para a consolidação da minha carreira e para a construção das ideias aqui apresentadas, além de me puxarem de volta ao chão sempre que voei longe demais. Foram e ainda são minhas maiores referências profissionais. Desbravaram o Cráton Amazônico e fizeram enorme diferença para a geologia do Brasil.

Aos amigos de rocha e colegas do queridíssimo Departamento de Recursos Minerais, Hugo Polo, Rafael Lima, Anderson Dourado, Guilherme Ferreira, Lila Queiroz, Sulsiene de Souza-Gaia, Débora Matos, Lucy Takehara, João Larizzatti e Maísa Abram; e do Departamento de Geologia, Mônica Perrotta, Joseneusa Rodrigues e Alexandre Lago, que nunca desistirá de ser bom, pois é a pessoa mais bonita que conheci na CPRM; e aos golden boys’n girl da geofísica, Iago Costa, Isabelle Serafim e Raphael Correa. Todos têm, ainda que não saibam, um papel fundamental na criação deste livro.

Não posso deixar de mencionar meus estagiários, que fizeram comigo seus trabalhos de conclusão de curso. Orientá-los foi fascinante e submeteu as ideias aos testes de que precisavam: Renan Cavalcanti, no detalhe estrutural do sinclinal de Serra Pelada; Thiago Mattos, no mapa metamórfico do limite Carajás-Bacajá; Marion Neves, na seção-tipo do Evento Sereno; Tomás Lisboa, no mapeamento de detalhe das relações tectonoestratigráficas do Supergrupo Itacaiúnas; Eric Prado, na microtectônica e na tectonoestratigrafia da mineralização de Salobo; Taís Martins, na petrografia das alterações regionais do leste da província, no TCC, e depois no mestrado, com o modelamento de potencial mineral da mesma área; e Gil Pedro Cavalcanti, na caracterização das ocorrências de adulária do Cinturão Norte do Cobre.

Preciso fazer um agradecimento improvável, mas honesto, a Noevaldo Teixeira, por sempre ter duvidado dos achados do grupo de trabalho de Carajás que ajudei a organizar. Sua dúvida consistente, estruturada e sustentada por modelos alternativos me obrigou a ir mais longe, a pensar, a falsear todas as hipóteses e a correr atrás. Posso dizer que, sem esse fator, talvez eu não tivesse chegado tão longe.

Sei que peco: há muito mais agradecimentos a serem feitos na CPRM. Antônia Railine, Elem Lopes, Carlos Provenzano, Raphael Araujo, Marcelo Vasquez, Rosana Pimenta, Priscilla Duarte, Antônio Junior e Edilberto Leão, in memoriam, são alguns nomes entre muitos outros que deveriam entrar.

Na academia, agradeço especialmente à professora Adalene Moreira da Silva, da UnB, uma pessoa de luz, acolhedora, gentil e paciente, com quem desenvolvo uma colaboração preciosa; ao professor Farid Chemale, da Unisinos, com quem sempre tive trocas interessantes; e ao professor José Carlos Seoane, da UFRJ, flexível e versátil, dos epitermais aos corais, com quem eventualmente divido uma disciplina de pós-graduação sobre análise estrutural-geofísica e que é de imensa generosidade. Agradeço ao grande amigo, Mark Mihalasky, do USGS, que me levou para o mundo do urânio, de cabeça, o que me permitiu fazer as mais radicais analogias.

Agradeço também à Vale, por permitir a amostragem de testemunhos de sondagem e dar pleno acesso às operações e aos projetos exploratórios. Sem esse apoio, esta história não poderia ser contada. E agradeço especialmente aos geólogos e geólogas com quem tive a oportunidade de trocar.

Aos amigos e amigas que não são geólogos, mas leram pacientemente meu manuscrito, como Eduardo Teixeira (meu compadre), Gustavo Rosa, Felipe Longo (meu outro compadre), Victor Autran e Joana Brazil; e a outros que moram no meu coração, como Augusto Rucker, Deborah Cavalcanti e Mariana Azevedo.

Por fim, agradeço aos meus pais, Alfredo Tavares e Virginia Mattos, que já se foi, mas está sempre comigo quando observo o Cristo Redentor no céu de Botafogo; ao meu irmão, Bernardo Mattos Tavares, a pessoa mais parecida comigo no mundo que, mesmo fisicamente distante, está sempre comigo; e à minha família, meu fractal, a razão da vida e a fonte inesgotável de amor que me alimenta e mineraliza. Laura, meu oásis antropocênico, navegando comigo no mar sem fim da impermanência. Moreno e Flora, nossos filhotes inquietos, criativos e curiosos. Esse livro é pra vocês. O mundo é de vocês.

Histórico de edições

  1. Felipe Mattos Tavares Manifesto da Vida v1.0 separado em capítulos · ver esta versão

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